- No inicio de 2012 a agenda econômica global é mais positiva para os EUA do que o resto do mundo. Nos EUA as expectativas positivas são:
1) Índice de gerente de compras crescente de dezembro em relação a novembro de 2011.
2) O relatório de emprego de dezembro de 2011 com payrolls superiores aos anteriores de novembro. Contudo o desemprego deve permanecer entre 8,6% e 9% no fechamento de 2011.
Continuam os riscos:
1) As agências de riscos anunciarem o downgrade de um ou mais países europeus.
2) Falência de instituições financeira.
3) Dados virem abaixo das expectativas.
- Os principais drivers na semana até o dia 23 de Dezembro serão os encontros políticos na Europa que se iniciarão no final de semana e se estenderão até terça-feira. Logo depois, entrará em cena os EUA com a divulgação da revisão do PIB real do terceiro trimestre, com expectativa de manutenção de crescimento de 2%a.a, quinta-feira. Por ultimo na sexta-feira será divulgado os indicadores de renda e gasto pessoal, com expectativas pior e estável respectivamente. O primeiro de 0,4% para 0,3% e o segundo em 0,2%. Também será divulgada a inflação PCE Core – preferida pelo Fed. Esta deverá ficar flat em 1,7%a.a.
Ainda vale ficar atendo a decisão dos juros do BOJ (pode intervir no iene a qualquer momento) e na minuta do BOE e RBA (devem-se buscar indícios de mais afrouxamentos na política monetária, tendência dos BC’S no início de 2012).
- S&P e Moody’s alertaram recentemente que podem reduzir o rating dos países da Zona do Euro. Este evento poderá resultar no aumento dos custos de tomar emprestado no mercado de títulos de quase todos os países. A Alemanha particularmente está imune aos rebaixamentos, como os EUA, que continua podendo tomar emprestado a 2%a.a. por 10 anos.
Rebaixamentos dos ratings porem podem causar problemas nos custos de financiamento de outros países. Os yields da Itália que estão acima de 6% (10 anos) podem aumentar além dos 7% (10 anos) e forçar o país a solicitar um financiamento externo (bail-out). Na França, caso perca seu rating AAA, poderá impactar no EFSF (European Financial Stability Facility), já que grande parte deste fundo é constituída de capital alemão e francês.
- Alguns eventos interessantes podem ser esperados esta semana. Na Europa temos expectativas estáveis para o crescimento real do PIB, em 1,4%a.a. e de redução dos juros básico de 1,25% para 1% pelo BCE. Ainda na Europa, dia 4 de dezembro o Parlamento italiano vai votar na aceitação das novas medidas que Mario Monti irá propor no final de semana. Por ultimo, os líderes das 27 nações da União Europeia se encontrarão em um Summit, que provavelmente continuará discutindo as soluções para a crise fiscal e o restabelecimento da confiança na região.
Os dados da China serão divulgados entre os dias 8 e 10 de dezembro. Observamos algumas mudanças significativas. A inflação poderá cair de 5,5%a.a. para 4,5%a.a. o que da margem de manobra para o Banco do Povo da China para criar medidas a fim incentivar a economia. Os dados de venda do varejo e produção industrial ano-a-ano mostram uma desaceleração maior que nos últimos meses, porem os dados de crescimento referentes ao dia 1 de janeiro continuam estáveis.
Na Austrália o RBA fará a reunião monetária no dia 5 de dezembro, onde provavelmente irá baixar os juros de 4,5% para 4,25%. Lembrando que a ultima reunião houve redução inesperada. Ainda sobre reuniões dos comitês monetários, teremos do BoC (Canadá) e do BoE(Inglaterra), ambos com expectativas de fazer a manutenção dos juros.
- Os yields (rendimentos) dos títulos de 10 anos da Itália tem pressionado o primeiro ministro italiano a uma renuncia. Os rendimentos dos 10 anos da Itália hoje avançaram acima de 6,5% seguindo uma trajetória parecida com os de Portugal, Irlanda e Grécia antes de recorrerem ao EFSF para pagar suas obrigações.
Com os yields acima de 6,5% - 7% por um longo período passa ser insustentável para o governo conseguir pagar suas obrigações, já que o crescimento está abaixo de 1%a.a. fazendo com que o governo não gere receitas suficientes.
A Itália possui mais títulos que Irlanda, Portugal e Espanha juntos em circulação (1,6 trilhões de euros em dívida). O que da um total de $307 bilhões de euros em rendimentos a serem pagos em 2012 ou cerca de 20,5% do PIB, e outros 37 bilhões de euros até o final deste ano.
Abaixo, segue o gráfico dos yields da Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália. Pode se observar que Itália e Grécia são 100% do foco do mercado financeiro em relação à crise fiscal no momento. Os yields de Portugal, Espanha e Irlanda ficaram “para trás”, enquanto de Grécia e Itália bateram highs nos últimos dias.
- Devemos focar em dois eventos nesta semana: Summit Europeu (encontro dos líderes da Europa) e o PIB americano.
As expectativas dos dados americanos estão positivas pela terceira semana consecutiva, enquanto os dados da Europa estão negativos.
Nos EUA o PIB real do terceiro trimestre - em sua primeira revisão – deve melhorar em relação do segundo trimestre anualizado de 1,3% para 2,5%. O consumo privado deve melhorar de 0,7% para 1,9% no terceiro trimestre. A inflação está suavizando assim como os membros do Fed esperavam, o PCE QoQ% se espera que caia de 2,3% para 2,2% no terceiro trimestre.
Na Europa os principais dados serão os PMI’s, que estão com expectativas piores, tanto o manufatureiro quando o de serviços. A confiança da indústria, consumidor e econômica também deve ser pior.
Porem, o mais importante na Europa serão as decisões sobre o aumento de poder do EFSF (Fundo de estabilidade financeira europeia), a recaptalização dos bancos e o deságio da dívida grega. A maior discussão está entre o impasse da Alemanha e França, o primeiro quer deságio de até 60% e a França somente concorda com os 21% propostos final de Julho.
- A seguir, iremos analisar as diferentes formas de composição do PIB norte-americano.
- • Esta semana começará com a divulgação do PMI em todos os principais países do globo. Desde Austrália a EUA. As expectativas apresentam uma leve queda em relação ao mês anterior. Vale lembrar que os dados passados apontam tendência de baixa, pessimismo nas empresas.
• Na quinta-feira, o BCE e o BOE concluirão a reunião da Política Monetária. Na Zona do Euro o juro deve sofrer uma manutenção, em 1,5%, expectativa fortalecida depois do dado de inflação divulgado hoje (30/09/2011), apontando inflação de 3%a.a. em Setembro.
- Os agentes do mercado também estarão de olho se o BCE irá propor alguma medida “não padronizada” (como novas linhas de créditos e compras de títulos) para ajudar a acalmar o mercado financeiro em relação à crise fiscal da região.
- Já na Inglaterra, a cada reunião aumenta a expectativa que haverá um aumento do programa de “quantitative easing” inglês. Os juros deve haver a manutenção de 0,5%.
• Por ultimo, os EUA divulgará o relatório de emprego do mês de Setembro. Com expectativa estável de 9,1% da taxa de desemprego e os payrolls positivos, porem não em larga escala. O setor manufatureiro deve apresentar pelo segundo mês seguido mais demissões do que contratações. Lembrando que foi o setor que puxou o crescimento em 2010.
- Semana 25 a 30 de Setembro:
• Esta semana esperamos que o mercado financeiro olhe com mais atenção à votação do prospecto de lei do EFSF pelo Parlamento Europeu. Se espera que consiga o voto favorável.
• O mercado deve olhar o discurso do Bernanke dia 28, mas ainda não há expectativas sobre.
• O PIB dos EUA será divulgado na quinta-feira, 29 de outubro, sua expectativa é positiva, de 1% para 1,2% no dado anualizado, esta é a terceira e ultima revisão do PIB real do segundo trimestre de 2011.
• Por ultimo, abrindo a rodada de PMI’S de setembro, a China divulgará o seu índice, ainda não há expectativa.
• Além destes drives, também saíra o desemprego e a inflação na Zona do Euro que estão com expectativas estáveis, em 10% e 2,5%a.a.
Semana 1 a 8 de Outubro:
• Esta semana começará com a divulgação do PMI em todos os principais países do globo. Desde Austrália a EUA. Por enquanto não há expectativas formais, porem dados anteriores apontam tendência de baixa.
• Na quinta-feira, o BCE e o BOE concluirão a reunião da Política Monetária. Na Zona do Euro a cada dia fortalece a ideia que irá reduzir os juros de 1,5% para 1,25% (lembrando que é a ultima reunião com o Trichet no comando). Já na Inglaterra, a cada reunião aumenta a expectativa que haverá um aumento do programa de “quantitative easing” inglês. Já os juros deve haver a manutenção de 0,5%.
• Por ultimo, os EUA divulgará o relatório de emprego do mês de Setembro. Com expectativa estável de 9,1% da taxa de desemprego e os payrolls positivos, porem não em larga escala.
- A seguir vamos discutir as principais citações de um texto de Michael R. Rosenberg da Bloomberg sobre o aperto fiscal americano e a condição financeira do país.
A Política Monetária primeiramente afeta a condição financeira (nível de taxas de juros e preços dos ativos). Estas mudanças influenciam a tomada de decisão de famílias e empresas para consumir, produzir e investir. (Ben S. Bernanke, March 2 2007).
- Síntese:
Com as novas medidas de austeridades fiscal na Itália, na Espanha e na França, e a forte desaceleração do crescimento da Alemanha, as expectativas de crescimento, inflação, juros e desemprego da Zona do Euro têm sido revisados para baixo. O cenário na região segue crítico: os bancos de médio e pequeno porte enfrentam problema de liquidez; países insolventes e governos sem poder de ação fiscal para gerar estímulos à economia. Abaixo segue algumas expectativas:
Crescimento:
O crescimento da Zona do Euro teve revisão em média de -0,2% por semestre no final de 2011 de 1,85% para 1,65% e início de 2012 de 1,50% para 1,30%. A expectativa do crescimento médio da Zona do Euro em 2011 é de 1,7% ante o 2,0% no início do ano.
Inflação:
Um crescimento menor geralmente é acompanhado de menor pressão inflacionária. As estimativas de mercado na Zona do Euro indicam inflação estável em 2,5%a.a. para 2011, depois de atingir 2,8%a.a. Olhando o dado mensal observamos dois meses de deflação, o que poderá levar a inflação de volta para a casa dos 2% - meta do BCE.
Juros:
Com baixo crescimento, com inflação estável, e, com um alto nível de desemprego em 9,9%, o BCE não tem estímulo para aumentar os juros. No início de 2011, era esperado um aumento dos juros em 0,25pontos por trimestre, saindo de 1% a.a. para 2% a.a. no final de 2011. Agora as expectativas estão fixadas em 1,5% até o final de primeiro trimestre de 2012.
Desemprego:
Por ultimo, a taxa de desemprego aparece estagnada em 9,9% por meses, mas os riscos de tomar tendência de alta aumentaram após as novas medidas de austeridades fiscais serem aprovadas. Na França já é observado um aumento no desemprego de 1,3% em Julho e Junho e 0,7% em maio, por exemplo. No próximo dia 31 de agosto a agência Eurostat deve divulgar o novo relatório de desemprego da Zona do Euro, junto com a taxa de desemprego do segundo trimestre da França, que pode apontar um aumento expressivo.
- Esta semana um indicador que mede o nível de estresse do mercado financeiro foi divulgado pelo Federal Reserve de St. Louis mostrando que o mercado se encontra a níveis extremos de estresse.
Em duas semanas o indicador pulou de 0,041 para 0,733, nível visto pela ultima vez pouco antes do anúncio do QE2 em Agosto de 2010. O aumento atual ocorreu após o mercado perder a confiança em relação aos problemas fiscais americanos, do sistema financeiro europeu e o rebaixamento da S&P do rating da dívida americana.
Este indicador é uma medida estatística da variação dos coeficientes ajustados de 18 variáveis (outros indicadores) do mercado de uma amostra de 12/1993 a 12/2009. São 7 taxas de juros (effective federal funds rate, 10YR, 5YR, 30YR, Baa-rated corporate, Merrill Lynch High-Yield Corporate Master II Index e Merrill Lynch Asset-Backed Master BBB-rated), 6 spread de yields (yield curve: 10YR menos 3 months treasury, Corporate Baa-rated bond menos 10YR treasury, Merrill Lynch High Yield Corporate Rate-Overnight IndexSwap (LIBOR-OIS) spread, 3 month treasury-eurodollar (TED) spread e 3 month commercial paper menos 3 month treasury bill) e outros 5 indicadores, como o VIX, ETF’s e TIPS . Para mais informações quanto ao índice: http://research.stlouisfed.org/fred2/series/STLFSI
A dois dias do discurso em Jackson Hole do Bernanke, o mercado espera que um complemento para a ação no último dia 9 de Agosto, onde o Fed manteve os juros extremamente baixo até pelo menos 2013. Isto provavelmente poderia aliviar o mercado da aversão ao risco, isto se a Europa não piorar e o BCE continuar com suas compras de títulos dos países com o sistema financeiro sem liquidez.
- No dia 21 de julho de 2011 a comissão europeia chegou ao acordo de como será o segundo pacote de ajuda da Grécia. A principal novidade em relação ao ultimo pacote é a participação do setor privado.
Dos €109 bilhões, €73 será financiado pela União Europeia – via EFSF¹ (European Financial Stability Facility) – e os outros €36 bilhões pelo FMI. Os €50 bilhões que serão somados da contribuição do setor privado, totalizando €159 bilhões, será por meios de trocas de títulos e rolagens de dívidas. Os bancos e investidores privados serão “convidados” a trocarem e/ou rolarem seus títulos de até 7,5 anos para 15 a 30 anos e estes terão o rendimento 2% a.a. menor (de 5,5% a.a. para 3,5%a.a.)², isto terá um deságio de €37 bilhões (valor que deixarão de ganhar) para estes investidores. Os outros €13 bilhões será por meio de um programa de recompra da dívida grega para diminuir ela.
Esta troca de dívida (aumento do prazo de vencimento) é considerada pelas agências de risco um “default seletivo ou restritivo”.
O EFSF terá novas linhas de créditos preventivas para o fundo poder ajudar instituições e países com dificuldades e também poderá atuar no mercado secundário (Open Market) após uma decisão unanime do conselho da UE.
¹: European Financial Stability Facility – Fundo europeu criado em maio de 2010 com a finalidade de resgatar países com dificuldade durante a crise fiscal. Administra €440 bilhões da União Europeia.
²: A diminuição dos juros de 5,5%a.a. para 3,5%a.a. será válido para os 3 países que estão atualmente utilizando o plano de ajuda (Grécia, Irlanda e Portugal).
- O segundo pacote aprovado para ajudar a Grécia será de cerca de $109 bilhões de euros. As decisões finais tomadas pelos líderes europeus em relação à dívida da Grécia são de:
- Dobrar o prazo de vencimento dos títulos de 7,5 anos para 15 anos.
- Reduzir a taxa de juros de 5,5% para 3,5% dos países que estão atualmente usando o pacote de ajuda do EFSF.
O setor privado irá arcar com cerca de $50 bilhões de euros através de contribuição e um programa de recompra de dívidas. O restante será provido pelo FMI e BCE.
Por ultimo, os líderes europeus decidiram aumentar o espaço de atuação do fundo EFSF¹. Agora ele contará com linhas de créditos preventivas que irá ajudar instituições financeiras em dificuldades através de empréstimos e terá o direito de comprar bônus no mercado aberto (Open Market), após aprovação unânime de todos os governos. Porem economistas alertam que os $440 bilhões que o fundo tem atualmente para intervenções é 2 a 3 vezes menor do que precisará caso tenha que interver na Itália ou Espanha.
A decisão hoje de prolongar os títulos deverá fazer com que as agências de riscos considerem este movimento um default seletivo ou parcial, mas o Conselho Europeu deixou claro que foi uma decisão excepcional em um momento também excepcional, ou seja, não deverá ocorrer novamente.
¹: O EFSF (European Financial Stability Facility) é o fundo levantado por 16 governos da Zona do Euro totalizando $440 bilhões de euros para financiar os países com dificuldade em pagar suas obrigações.
- Conforme nossas considerações abaixo, podemos observar que a economia americana continua a apresentar crescimento lento, baixa geração de empregos e demanda pouco aquecida. Uma recuperação nos preços dos ativos – Bolsas e Commodities – dependeria de um aquecimento mais forte, o que não é a expectativa dos agentes econômicos internacionais.
- A China cresceu em média 10,53% a.a. nos últimos quatro anos. Hoje o cenário está diferente devido o contexto macroeconômico global e os problemas regionais.
- As discussões cambiais atuais indicam as oportunidades que sempre vivenciamos nos mercados financeiros, ou seja, a volatilidade dos preços dos ativos. O que chama a atenção da imprensa neste momento é a elevada volatilidade dos termos de troca entre as moedas e a perda de valor da principal moeda de troca internacional – o dólar norte-americano.
- Três fatos/medidas que os americanos tomaram para manter o crescimento e outras três contra medidas que outros países estão fazendo para evitar a apreciação do câmbio doméstico deles.
- Veja como está a atual situação do CDS, Euro e as bolsas no continente.
- Saibao cenário econômico no Japão.
- Tudo sobre a agenda econômica desta semana, e seus principais drives.
- Conheça os 3 fatores que os mercados internacionais estão reagindo.
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