As expectativas dos mercados financeiros neste inicio de 2012 estão focadas nos eventos políticos, econômicos e financeiros da Europa, havendo visões que conflitam no seu tempo de execução e resposta aos problemas financeiros internacionais. São elas:
A posição germânica
Na visão dos seus lideres políticos, coordenada pela Chanceler Angela Merkel, é necessário uma revisão geral do tratado da União Europeia. Buscam a maior integração fiscal, maior pressão do conjunto sobre os países individualmente, e, estabelecer as bases de uma reestruturação de longo prazo buscando a maior competitividade da a região no futuro.
Claramente Merkel visa soluções que terão impacto no longo prazo, aceitando - ou mesmo provocando – mudanças no grupo dos países que formam o euro hoje. Discursa pela manutenção do conjunto, atua forçando o desligamento dos membros mais “frágeis”. Exige, também, que o setor privado (bancos) assuma o custo com um percentual considerável das renegociações de dívidas soberanas (chega-se a falar de 75%).
Se esta é uma posição de longo prazo correta, no curto prazo poderá acarretar o default de uma ou mias dívidas soberanas, crise bancária com consequências catastróficas e forte queda no crescimento global por 2 a 3 anos no mínimo.
A posição do “mercado”
Na visão dos grandes players do mercado financeiro global espera-se que o BCE venha a agir como o FED o fez na quebra do Lehman Brothers, colocando ampla liquidez nos mercados através da compra de títulos.
Como seria no caso europeu? Implicaria –principalmente - na forte participação do BCE nos leilões de títulos soberanos de países como Portugal, Espanha ou Itália, evitando o contágio grego para o restante da Europa. E, garantindo total financiamento ao a rolagem das dividas (e o déficit) dos países que adotam a moeda euro.
Não há discordância com relação a necessidade de reestruturação econômica e busca de maior competitividade das economias europeias em geral. Mas se quer evitar a quebradeira de bancos, a queda de crescimento, permitindo-se um ajuste gradual ao longo do tempo.
O que vai prevalecer?
Início do ano...
A análise dos fatos recentes indica que caminhamos para a rigidez politica germânica, com variações abruptas neste primeiro trimestre. Pode-se esperar mais queda das bolsas (se a crise bancaria vier será muito forte); ampla valorização de moedas consideradas seguras (dólar, yen, franco suíço) e queda acentuada do euro e moedas dependentes dos preços das commodities (real).
Mais a frente...
Crises agudas podem mudar a posição dos lideres políticos e o que se impede hoje (exemplo – atuação do BCE nos leilões de divida soberana) pode ser permitido amanhã. Portanto, uma mudança abrupta de direção dos mercados.
Concluindo
A visão geral neste inicio de ano é negativa, apostando-se na queda dos preços de ativos de maior risco e compra de ativos de baixo risco. Contudo, não se pode tomar uma posição e considerá-la acertada por um longo tempo. É preciso estar atento as mudanças políticas – ou mesmo as declarações politicas com efeitos de curto prazo. Tudo será motivo de ampla volatilidade.
Toda e qualquer posição deve ter uma forte gestão de risco, com stops claramente definidos, diante das frequentes mudanças de direção que os mercados devem apresentar ao longo de 2012.
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